Jornal em Foco

Maio 6, 2008 – 9:44 am

“Em Foco”

Editorial

Fazer um jornal é uma idéia que nos acompanha desde sempre. Por que agora? Talvez por que estamos alcançando a maioridade. Não sei se tudo isto será um “Jornal” ou simplesmente uma forma de comunicação entre todos nós da clínica. Talvez tenhamos a pretensão de mostrar à comunidade quem somos, os nossos objetivos, nossa filosofia, nossa forma de trabalhar.

Com “Em Foco” muita gente poderá descobrir que pode fazer uma psicoterapia, seja qual for sua renda.

Com este “enfoque”, muitos profissionais poderão descobrir que têm uma clínica onde podem investir para adquirir mais conhecimentos, onde encontrarão um número constante de novos clientes, onde terão grupos de estudos, supervisões, palestras, reuniões clínicas. São 20 anos ininterruptos de funcionamento da Clínica Social.

“Em foco” também mostrará trabalhos elaborados por nossos terapeutas e diretores, mostrará que a clínica Social de Psicoterapia é um lugar de atendimento psicoterápico, é um lugar de aprender psicologia e psicoterapia, e principalmente um espaço de interação humana, que abre suas portas para toda a comunidade que queira ou precise de nossos serviços.

Não é uma tarefa fácil, mas muito gratificante. Compilar textos, autores, idéias, informações não é fácil para quem começa, mas temos a certeza que “todo trabalho dá frutos e todo fruto dá trabalho”.

CLÍNICA SOCIAL DE PSICOTERAPIA

A semente foi plantada em 1978, quando foi fundado o Grupo de Psicoterapia Dinâmica de Minas Gerais por Elizabeth Clarck e Rosemberg Fonseca. Esse grupo teria por finalidades: pesquisa, ensino de psicoterapia de orientação psicanalítica, formação didática de psicoterapeutas, estabelecer e manter relações com outros profissionais e instituições congêneres, etc.

Em 1979 o nosso grupo começou a ser questionado e em 1980, por consenso chegou-se a um novo nome: G .B.P.A (Grupo Brasileiro de Psicoterapia Analítica).

O grupo foi crescendo e a psicóloga Marília Pires foi chamada para integrar a diretoria.

Aos poucos foi amadurecendo um dos sonhos iniciais: criar uma clínica para atender pessoas de baixa renda.

Pretendia-se inovar, criar, transformar, construir um novo paradigma. Pensando sempre em juntar teoria e prática, pretendia-se renovar, atualizar, ampliar a visão do trabalho terapêutico, estudar novas teorias, novos conceitos, partindo de novas premissas, criando novos conceitos.

Paralelo ao atendimento às pessoas carentes, queríamos desenvolver a prática profissional, tão escassa para psicólogos recém-formados.

Entretanto, a idéia da clínica Social não era partilhada por todos os membros do grupo. Houve uma divisão de objetivos e interesses. Por um lado, profissionais mais interessados na formação teórica psicanalítica; por outro lado, profissionais mais interessados na prática psicoterápica, com Clínica Social, dentro de uma visão sistêmica.

Para resolver esse impasse interno, chamamos uma analista institucional, dra. Carmem Lent, que realizou uma intervenção no G.B.P.A no final de 1987, culminando com a dissolução do mesmo.

Um grupo de psicoterapeutas, coordenado por Elizabeth Clarck, decidiu então criar um novo modelo: em vez de grupo de formação, foi criada uma Clínica Social, com estatuto formalizado e devidamente registrado em 11 de outubro de 1985.

Dessa maneira surge a CLÍNICA SOCIAL DE PSICOTERAPIA, como uma instituição sem fins lucrativos, que tem como função principal o atendimento em psicoterapia de pessoas que não podem pagar uma consulta particular a preço de mercado. Paralelamente a essa função, a clínica oferece a seus membros terapeutas cursos teóricos, reuniões clínicas, supervisão, seminários e palestras. Funcionamos com uma média de 30 terapeutas que atendem uma média de 10 novos clientes por semana.

No início a Clínica Social de Psicoterapia foi integrada por 5 membros diretores - fundadores: Antônio Nogueira Duarte, Elizabeth Lins Clark Ribeiro, Maria Angélica de Castro, Maria da Glória de Miranda Leite e Júlia Maria de Araújo. Mais tarde integraram a diretoria: Sônia Rocha, Regina Guerra, Luiz Alfonso Baunfeld, Júlio Ignácio Pargas González e Miriam Fonseca. Hoje a diretoria da Clínica é composta dos três últimos. Junto com a diretoria funciona um corpo clínico de 30 psicólogos que, além dos atendimentos, aulas e supervisões, participam das 5 comissões que formam a clínica

Nos surpreendemos ao constatar que conseguimos sobreviver aos problemas políticos, econômicos e sociais que envolvem o nosso país, sem estarmos atrelados a uma instituição oficial ou mesmo particular. Temos conseguido desenvolver nosso trabalho social, profissional, humano, graças à dedicação de um grupo de pessoas. Estamos unidos por um objetivo comum, num clima de boa vontade, ética, estudo, pesquisa, colaboração, espírito de trabalho e um desejo enorme de crescer como profissionais e como seres humanos humanizados.

Hoje em dia, a Comissão Cultural organiza três palestras por semestre, pelo menos. Queremos registrar nosso agradecimento a profissionais que, sem pertencer à Clínica, e de forma gratuita, se dispuseram a dar palestras sobre os mais variados temas. A todos eles somente agradecer é pouco, mas saibam que todos contribuíram para nosso crescimento profissional.

Gostaríamos ainda de agradecer à mentora desta Clínica, Elizabeth Lins Clark, ou simplesmente, Beth Clark, que já passou por esta vida, deixando-nos há 3 anos. Uma figura belíssima em todos os sentidos: como pessoa, como profissional, estudiosa, criativa, idealista, visionária, pessoa ética, razão-emoção, seriedade-alegria, expansiva, mas que sabia colocar limites como ninguém … Para falar da Beth precisaríamos de muitas folhas ou de muitos jornais. Mas, pela sua humildade, isso não é necessário. De onde ela estiver, tenho certeza que ela estará nos enviando a sua melhor energia.

Agradecemos também a todos os antigos diretores da Clínica, pela marca que cada um deles imprimiu nesta instituição.

E finalmente, agradecemos a todos os clientes que se submeteram ao nosso trabalho terapêutico.

Este é um resumo de nossa história. São 20 anos de realizações e muito trabalho.

Espaço de Desenvolvimento

A Clínica Social de Psicoterapia constitui um espaço de desenvolvimento profissional e pessoal, aliada a sua função social. Aqui psicólogos realizam parte de sua clínica e pessoas da comunidade em geral encontram os benefícios pessoais que o processo de psicoterapia pode lhes oferecer. A estrutura funcional da clínica é composta por cinco diretorias, sendo uma cultural, uma de divulgação, uma científica, uma financeira e uma administrativa. Esse organograma permite que todos os elementos necessários ao bom funcionamento da estrutura sejam efetivamente acompanhados.

Recebemos permanente demanda, oriunda de pessoas que tomaram conhecimento da existência da clínica através de nossos clientes ou que foram encaminhados por médicos, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais, bem como por empresas, associações, escolas e outros. Assim torna-se possível o encontro psicoterapêutico extendido a pessoas que não estão em condições financeiras de assumir os custos da psicoterapia particular.

Cumprindo sua tarefa científica, a Clínica Social de Psicoterapia mantém permanente aperfeiçoamento profissional através de cursos de duração semestral, com enfoque psicanalítico ou sistêmico. Os membros terapeutas devem freqüentar os cursos, durante certo período, até que cumpram carga horária mínima estabelecida. Os cursos estão abertos também a pessoas que não são membros da clínica, psicólogos e outros profissionais, com custo bastante acessível.

Desde 2004, a Clínica realiza jornadas semestrais para a divulgação de trabalhos produzidos por seus membros. A primeira em julho daquele ano, divulgou cinco trabalhos e a segunda, em dezembro divulgou outros cinco. Em 2005 realizaremos outras duas jornadas.

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