Preguiça

Maio 6, 2008 – 9:37 am

I) Preguiça

O último dos sete pecados capitais é socialmente compreendido como sendo a falta de ânimo, de vontade ou de providência para a execução de qualquer tarefa.

Diferente da ociosidade, que pode ser criativa e que favorece descobertas acerca de quem a exercita, a preguiça é repetitiva e expansiva: a progressiva expansão da imobilidade física é diretamente proporcional ao latente prazer de controle sobre o próximo.

Os primeiros movimentos inibidos costumam ser os corporais, em direção à paralisação dos movimentos emocionais (sentimentos). O último movimento retardado (não  eliminado) é o raciocínio.

Como os outros seis elementos nocivos à evolução, ela se coloca avessa à transformação e é fruto de um desamor.

II) Agregados contextuais e psíquicos da preguiça:

a) O avanço tecnológico que favorece o mínimo esforço pessoal;

b) A má vontade: conseqüência de baixa cooperação (hipodesenvolvimento da humanização), cria justificativas para que não se faça o que seria necessário;

c) A sensação de incapacidade: facilitadora do desânimo e da desistência, promove a convicção de que não vale a pena tentar executar a tarefa que se faz necessária;

d)  A indecisão: aliada da preguiça favorece a falta de ação por promover a “cisão” entre o querer e o executar responsavelmente algo;

e) O pessimismo: predetermina o resultado negativo, impossibilitando a chance de enfrentamento da realidade e abrindo margem para;

f) O derrotismo: que não só tolera como também considera como impedimento para uma nova experiência, a possibilidade de um insucesso. Autoriza a eliminação da humildade de querer aprender com a vivência uma dificuldade.

Agradecemos a Cláudia Prates por ter gentilmente cedido o texto acima para publicação neste número.

O Princípio do Prazer e o Princípio da Realidade em uma Estória Infantil

Maio 6, 2008 – 9:36 am

Este texto tem a finalidade de analisar conceitos psicanalíticos básicos em uma estória infantil, que descreve as aventuras de peixes no fundo do mar.

A estória, em forma de desenho animado, chama-se “Procurando Nemo” da Disney Pixar Studios, conta a saga de um pai “peixe palhaço” que sai à procura de seu filho, capturado por um mergulhador e levado para um aquário em Sidney na Austrália.

No início o pai e a mãe conversam sobre as quatrocentas ovas que irão chocar, olhando para o lugar que escolheram para morar e criar os filhotes. De repente, aparece um predador e come a mãe peixe e todas as ovas, menos uma,  o peixe de nome Nemo. Esse peixe, o único que restou da ninhada começa a ser cuidado pelo pai, super protetor, que protela a sua entrada no mundo do fundo do mar. Como se não bastasse, este filho tem uma nadadeira defeituosa, o que acentua ainda mais a proteção do pai. Após sua entrada na escola, o pai descobre que os alunos irão perto do paredão, limite em direção ao alto mar. Segue assim em direção a este lugar onde então seu filho o desobedece e cai na rede do mergulhador. A partir daí inicia-se a procura deste pai pelo filho, onde encontra um peixe-fêmea que se mostra desmemoriada, desorientada, porém pertinaz, abrindo caminho às vezes desconhecidos, às vezes perigosos.

A leitura que faço destes dois personagens se compara à postulação de Sigmund Freud no que se refere ao princípio do prazer e ao princípio da realidade. O princípio do prazer reina no inconsciente, garante a vivência de satisfação, os sonhos, está no registro do desreal e ligado às pulsões sexuais. O princípio da realidade domina o consciente, garante a obtenção no real das satisfações e está ligado à auto-conservação. São os dois princípios de funcionamento do aparelho psíquico; a passagem do princípio de prazer para o princípio de realidade não faz suprir o primeiro. Representam o dualismo pulsional e o conflito entre o ID e o EGO. O princípio do prazer não tem memória, o princípio de realidade só tem objetivo; embora antagônicos, caminham juntos, emparelhados e um só se reconhece no outro e vice-versa.

O pai – princípio de realidade – quer encontrar o filho a todo custo, às vezes atabalhoadamente, mas com persistência, obstinação e até mau-humor. O peixe-fêmea – princípio de prazer – também quer encontrar Nemo, mas não tem orientação nem física nem temporal e nem espacial – simplesmente arrisca. O pai, chamado Marlim, procura o único filho que lhe resta e não tem indícios para onde ele foi. O peixe-fêmea, chamado Dori, sofre de perda de memória recente e não consegue se lembrar de nada, mas acompanha o pai na busca desenfreada pelo filho. Os dois juntos se completam inusitadamente (ambos são necessários, embora às vezes contraditórios) e vão percorrendo os perigos dos mares, que são muitos, conseguindo atravessar os oceanos e paradoxalmente encontrar os caminhos que os levem até um aquário em um consultório dentário em Sidney, onde está o filho capturado pelo mergulhador. Uma tarefa que parecia impossível consegue se concretizar com os esforços de ambos, que lutam para encontrar o filho Nemo. A estória, divertida, atraente, consegue prender a atenção tanto de adultos como de crianças, não deixando de ter pontos trágicos, adversos, perdas, mas também contemporizando a dualidade existente em todos os processos da vida.

Bibliografia:

- Vocabulário de psicanálise: J. Laplanche – B.Pontalis 5ª edição.
- Procurando Nemo – Disney/pixar.

Luiz Afonso Baumfeld - Pediatra - Psicanalista

A psicologia

Abril 18, 2008 – 3:53 pm

simbolo_psicologia_01.jpgO entendimento usual que define a Psicologia e dela se deriva, percorre vários outros segmentos da vida como um todo, e não só se restringe ao corpo e a mente, como muitas vezes é pensado.A Psicologia tornou-se referencial, e por esse motivo nos vemos envolvidos em situações tais quais, ás vezes, não imaginamos que dela faça parte. Assim como nossa vida cotidiana é estruturada sobre uma base social, nossa vida mental é estruturada sobre papéis que desempenhamos na sociedade. Podemos, então considerar que a psicologia não é um tema novo, visto que, sua essência já era pensada desde tempos remotos, sem muitas pretensões científicas. A sua prática e teoria advém da sua simples sede de conhecimento acerca do comportamento humano.

A história da psicologia remonta desde o ano 600 e vem caminhando a passos largos, mostrando sua evolução nos quatro cantos do mundo, do seu mais simples pensar ao mais complexo saber. Com o passar dos anos a psicologia foi conquistando mais e mais espaço no âmbito da ciência. Do comportamento como objeto de estudo, a psicologia foi apontando para o conhecimento do sintoma que nele se esconde , ou seja, o comportamento é a tradução, a manifestação de um sintoma, que por sua vez é a expressão de algum distúrbio ou experiência que o indivíduo está vivenciando.

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